O Golden Retriever originário da Grã-Bretanha, é classificado como cão de caça, conforme a Federação Internacional de Cinofilia (FCI) pertencente ao grupo 8 – Retrievers, levantadores e cães d’água, seção 1 – Retrievers.  

A história da raça data do século 19, na Escócia, por Lorde Tweedmouth. A partir de 1952, um manuscrito do Lorde, conta como teria ocorrido a seleção, sendo descoberta por seu sobrinho, Conde de Ilchester. 

No manuscrito, o Lorde relata que adquiriu em 1865 o único exemplar amarelo, de uma ninhada de cães pretos encaracolados, chamado Nous, que acasalou com uma Tweed Water Spaniel, e daquela união nasceram quatro fêmeas. Por mais de vinte anos, o Lord trabalhou numa linhagem descendente de uma das 4 fêmeas, que fez seu primeiro cruzamento com outro Tweed Water Spaniel. Para manter a linhagem forte e melhorar as aptidões de caça, houve cruzamentos com dois Wavy-Coats pretos e um Setter Irlandês. A textura da pelagem dos cães era variada, assim como a cor, que ia do ruivo ao creme. Ocasionalmente, filhotes do canil do Lorde Tweedmouth eram dados a amigos e parentes. Algumas dessas pessoas criaram cães e desenvolveram linhagens próprias. Os anos de seleção de tipo, cor e habilidade, resultaram na linhagem Ilchester, ancestral dos Goldens atuais. 

Os primeiros Goldens retrievers, são levados por viajantes em 1890, para os EUA e Canadá. Em 1903, a raça é aceita pelo Kennel Club of England, e são chamados de “Flat- Coats- Golden”, e em 1911, passa a ser reconhecida. A partir de 1930, a raça se populariza em solo americano e se espalha pelo mundo. É uma das raças mais queridinhas do brasileiro.

 Os cães desta raça têm aparência simétrica, equilibrada, ativa, poderosa, com movimentação nivelada, sadio, com expressão doce. São obedientes, inteligentes, afetuosos, com grande habilidade para o trabalho, como por exemplo, cão-guia. Isso o torna um dos cães mais criados no mundo. Necessitam de muito exercício e brincadeira para gastar energia, especialmente quando filhotes. 

Destaca-se como uma das raças mais obedientes e dispostas a servir ao homem. Não tem o hábito de latir, é extremamente carinhoso, se dão muito bem com crianças e têm na sua família um porto seguro. É classificado como a quarta raça mais treinável para obediência. São também excelentes para companhia, por serem sensíveis e equilibrados e adoram agradar seus tutores. Apresentam grande habilidade para esportes aquáticos, como natação, possuindo uma subcamada de pelos impermeáveis a água, assim os tornando excelentes salva vidas. Esta raça faz parte do grupo de caninos mais indicados para guia de cegos, auxiliando na terapia de doentes físicos e mentais, além de trabalhar em resgates.

Possuem uma longevidade média de 12 a 13 anos e embora, como toda raça tem a sua lista de doenças predisponentes, o golden é considerado um cão bastante saudável, desde que todos os cuidados sejam adequados para as suas necessidades.. Os pelos são longos e sedosos, com peso aproximado de 45 kg. Os machos medem entre 56-61 cm e as fêmeas, 51 a 56 cm, sendo a altura da cernelha ao chão. A gestação de uma fêmea da raça, dura cerca de 9 semanas, gerando cerca de 8 filhotes por ninhada. 

Por ser um cão de grande porte, seu crescimento é lento. Atinge o tamanho de um adulto, com um ano de idade, e necessitará de mais um ano para definir seu corpo, mas mentalmente se comporta como um grande filhote, até aproximadamente 3 anos. 

Extremamente tranquilo, necessita de exercícios constantes, mas deve-se evitar exercícios intensos até os 18 meses, a fim de evitar patologias ósseas e articulares, como displasia coxofemoral e a sobrecarga que pode ocasionar problemas futuros. 

O golden é uma raça muito ativa e enérgica. Criar rotinas, especialmente de exercícios, é muito importante para que o golden gaste a energia necessária para que ele se mantenha saudável, feliz e seguro. A rotina inclui momentos das refeições, necessidades fisiológicas como xixi e cocô, brincadeiras, passeios, troca e conexão com o tutor, como momentos de carinho, escovação do pelo, de dentes, assistir um filme, deitar lado a lado, para que o pet crie laço afetivo e apego seguro, com todos os membros da família. Aí uma grande característica, senão a mais importante da raça: eles gostam de ser família, inclusive com outros cães e gatos.

 O desenvolvimento social canino é categorizado em cinco estágios: 

• neonatal (nascimento até 13 dias); 

• transição (13 a 19 dias); 

• socialização (19 a 84 dias); 

• juvenil (84 dias até maturidade sexual); 

• adulto (maturidade sexual em diante). 

No estágio neonatal (nascimento até 13 dias de vida), o filhote apresenta capacidade motora limitada, total dependência à mãe, sistema nervoso imaturo, reflexo aos estímulos de interação filhote-mãe, passando a maior parte do tempo mamando e dormindo. 

No estágio de transição (13 a 19 dias de vida) há o desenvolvimento neurológico verificado pela abertura dos olhos, ouvidos, aumento da exploração da área de ninho, habilidades motoras e primeiras atividades lúdicas voluntárias. O contato humano deve ser estimulado nesse estágio, a fim de elevar o potencial de aprendizagem, contribuindo com equilíbrio emocional na vida adulta. 

O estágio de socialização (19- 84 dias de vida) é caracterizado como o período mais importante no desenvolvimento do filhote. Nessa fase ocorre o surgimento dos dentes, interações com os irmãos, aumento da exploração do ambiente, ainda é possível verificar o desenvolvimento da capacidade de aprendizado e habilidades motoras. Neste momento, apresentar pessoas, outros animais, odores, sons, irão contribuir no equilíbrio emocional. Esses estímulos geram uma relação direta com as manifestações comportamentais futuras.  

A partir da 3º semana inicia-se o afastamento progressivo da mãe, buscando a exploração e interação com seus familiares, formando relações sociais.  

Após esse período, entre 4 e 6 semanas, as características de aprendizado aumentam e os filhotes passam a responder positivamente às interações humanas. O comportamento de limpeza da mãe diminui à medida que os filhotes vão crescendo. Nessa fase ocorre substituição do leite materno pelo alimento sólido, geralmente ração de filhote amolecida com água, em média 4 vezes ao dia, junto ao leite materno.

O desmame ocorre nesta fase, então passam a receber uma alimentação sólida de 3 a 5 vezes ao dia.  É de suma importância manter o filhote com a mãe até a 8ª semana de vida, cerca de 60 dias, pois uma separação precoce pode acarretar diversos problemas durante sua fase adulta, pois a mãe irá corrigir seus filhotes sobre força de mordida das brincadeiras e assim como interagir com seus irmãos sem machucá-los, irá corrigir comportamentos nocivos como a reatividade exacerbada. Filhotes por estarem nessa fase de descoberta acabam possuindo maior curiosidade se comparado a animais mais velhos, facilitando o seu manejo e treino. 

É nessa etapa também que inicia-se o protocolo vacinal e desvermifugação do filhote.

O protocolo vacinal mais eficaz é aquele que é pensado e efetuado individualmente para cada animal, (seguindo as orientações do médico veterinário de confiança), mas na sua grande maioria, a primeira dose inicia-se aos 45 dias de vida, sendo estendido até mais ou menos os 4 meses de vida, quando será feita a última dose das vacinas obrigatórias como polivalente, que abrange proteção contra o vírus da Cinomose, Adenovírus tipos 1 e 2, Parainfluenza Canina, Parvovírus e leptospiras; e a Antirrábica que promove proteção contra a Raiva canina. Muito cuidado ao expor esse filhote à desafios de imunidade durante o protocolo vacinal. Impedir que tenha contato com outros cães, locais onde passam muitos animais como pet shops, parques, praças, hotéis, entre outros, é uma forma de prevenção e cuidado com a saúde.

Após o protocolo inicial, a recomendação sobre a vacinação é que seja feita anualmente. Vermífugo e anti-pulgas devem ser administrados conforme necessidade, estilo de vida do pet e recomendação do médico veterinário.

Durante os 56 a 63 dias, ocorre o amadurecimento do sistema nervoso e suas estruturas sensoriais permitem aos cães, identificar odores e delimitar área para necessidades fisiológicas. Além disso, o cão passa a expressar posturas de medo, quando exposto a estímulos desconhecidos, podendo desencadear traumas. Com cautela, os estímulos devem continuar a serem oferecidos, visando a continuidade do aprendizado, já que, esta é a melhor fase de desenvolvimento. Até os 6 meses de idade, ocorre um crescimento explosivo. Essa é a fase crítica de desenvolvimento do seu Golden e você deve fornecer uma alimentação adequada para a faixa etária, e evitar pisos lisos, devido ao rápido ganho de peso, o que pode sobrecarregar seus ossos e articulações.  

Na fase juvenil, (84 dias até maturidade sexual), é necessário continuar expondo os animais a estímulos ambientais e a outras espécies, por compreender uma extensão da socialização. Neste estágio, a capacidade motora e de aprendizado estão plenas, além do aumento da exploração do ambiente e o surgimento do comportamento de cuidado uns aos outros, da mesma espécie. O processo de inserção social surge de forma lúdica, iniciando assim experimentações de posição social/hierarquização. Durante essas interações somadas a suas experiências, o cão irá moldar seus comportamentos e temperamento na fase adulta.  

Fase adulta: este estágio é caracterizado pela maturação sexual e social. A manifestação do comportamento sexual é caracterizada pela manifestação ativa, peso e escore corporal. A maturidade sexual do Golden Retriever, por ser considerada uma raça de grande porte, ocorre aproximadamente com 18 meses de vida. Já a maturidade social ocorre pela ritualização com os membros do grupo, buscando estabelecer as relações hierárquicas, esse comportamento ocorre a partir dos 270 dias (aproximadamente 9 meses). Após os dois anos de idade, os animais estão plenamente maduros, apresentando diminuição nas interações lúdicas e determinando a organização social. Nesta fase, a alimentação deve ser substituída, respeitando o intervalo de adaptação entre a oferta de filhotes para adultos, que dura cerca de 7 dias. 

Pelagem

Os goldens não perdem a pelagem de filhote, ela torna-se seu subpelo, portanto a pelagem é dupla, podendo ser lisa ou ondulada, franjada e bem volumosa, além de longa e macia, de coloração dourada.

O subpelo é denso, sendo um protetor térmico para as estações mais frias, mas não para as estações quentes do ano, portanto, opte por tosar o golden para que ele não passe calor, nem superaqueça, pois o superaquecimento pode ocasionar mal estar, disfunção orgânica e até mesmo o óbito do cão. Da mesma forma, cuidado com os horários de  passeios, priorize sempre sair com o pet antes das 10h da manhã e após as 16h da tarde.

Nos dias muito quentes, além de ser muito calor e o pet ficar superaquecido, ele também pode queimar as patinhas.

A pelagem volumosa requer cuidados especiais de escovação e secagem para diminuir a recorrência de problemas de pele.

A escovação deve ser feita pelo menos 2 a 3 vezes por semana. Com 15 meses, a pelagem está completa. Atingem seu peso total, com dois anos de vida. 

Predisposição à doenças

Como todas as raças, o golden também apresenta algumas predisposições a doenças.

É importante que os tutores saibam e conheçam para que com orientação adequada, possam prevenir que aconteçam.

Dentre as doenças, o golden apresenta predisposição para: displasia coxofemoral e de cotovelo, doenças oftalmológicas (atrofia de retina e catarata), doenças hormonais (hipotireoidismo), doenças cardíacas e problemas de pele (atopia, dermatites, piodermite).

Como auxílio a evitar problemas de pele, recomenda-se que os pertences do pet, como cama, cobertores, almofadas, brinquedos, bebedouros e comedouros sejam higienizados a cada 15 ou 30 dias, utilizando produtos neutros. A recomendação é que entre 6 meses e 1 ano de vida, o golden já faça a sua primeira consulta oftalmológica e cardíaca. Doenças diagnosticadas precocemente, têm mais chance de serem tratadas e até mesmo curadas.

Curiosidades sobre a raça

Uma curiosidade sobre a raça é que o golden retriever foi protagonista do filme Bud, o cão amigo, em 1997.

O sucesso do primeiro filme foi tanto que gerou as sequências: Bud 2, o atleta de ouro (1998), Bud 3, jogando futebol (2000), Bud 4, é uma jogada perfeita (2002), Bud 5, arrasando no vôlei (2005) e por último Bud, uma nova confusão (2006), gerando uma verdadeira saga com os cães dessa raça.

 Conclusão 

O entendimento de todas as fases de vida dos cães, a sua origem e seu comportamento, são de extrema importância para uma convivência saudável e amorosa entre humanos e os cães. Tenha sempre o conhecimento e confiança em um médico veterinário para o acompanhamento do seu cão. Ele precisará de visitas regulares ao consultório, durante todas as fases de sua vida, a fim de evitar problemas de saúde e de manejo inadequado. 

Esperamos que este guia tenha sido útil para você. 

Aqui na Focinhos.pet temos uma equipe de médicos veterinários qualificados e preparados para lhe auxiliar e orientar a melhor maneira de promover saúde, qualidade de vida e longevidade para seu melhor amigo. Não hesite em nos contatar. Queremos fazer parte de todas as fases de vida do seu cão. 

Aproveite cada estágio da vida do seu cãozinho e construa uma relação duradoura e gratificante! 

Dra Sabrina Knorr

Médica Veterinária

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