A ivermectina

Conhecida como ivomec, é uma substância medicamentosa pertencente ao grupo das avermectinas. É muito utilizada como antiparasitário em bovinos, ovinos, suínos e equinos. Para cães e gatos caiu em desuso devido a novos medicamentos existentes com maior segurança e eficácia.

A intoxicação por ivermectina

São muito comuns em cães e gatos, devido à facilidade de obtenção e o custo acessível deste fármaco pelos tutores, principalmente pelo uso indiscriminado e sem supervisão e orientação de um médico veterinário.

A intoxicação ocorre devido à administração fora da dose terapêutica (superdosagem) ou pela sensibilidade dos animais ao fármaco.

Raças predispostas à intoxicação

Cães da raça Collie, Old English Sheepdog, Pastor de Shetland, Pastor Alemão, Pastor Australiano, Boiadeiro australiano, Afghan Hound, Border Collie, Galgos ou seus mestiços são particularmente mais sensíveis ao uso da ivermectina devido a mutações que eles possuem em um gene (MDR1), que facilita a entrada da ivermectina pela barreira hematoencefálica, desencadeando a intoxicação, principalmente com sinais neurológicos.

Os sinais clínicos da intoxicação

Os sinais que mais notamos em cães intoxicados por ivermectina incluem ataxia, anorexia, hipertermia, desorientação, sialorréia, midríase (aumento da pupila), hiperestesia, tremores, depressão, paralisia, ausência dos reflexos pupilares, cegueira, bradicardia, pulso fraco e em casos graves, coma, hipotermia e morte.


Em gatos, doses elevadas de ivermectina provocam vocalização, ataxia, desorientação, anorexia, demência (choro, mordidas, arranhões), tremores, midríase, cegueira, andar em círculos, pressão da cabeça contra obstáculos, perda de reflexos, reflexo pupilar lento e incompleto, bradicardia, bradipnéia, hipotermia, mucosas pálidas, coma e morte.

Na intoxicação grave que pode ocorrer de 10 a 24 horas após a aplicação de ivermectina, observam-se reação tóxica com manifestações de choque (cianose ou palidez de mucosa, aumento do tempo de preenchimento capilar, extremidades frias, pulso fraco, colapso), edema pulmonar, taquicardia, tremores musculares, anafilaxia, coma e morte. Também pode ser observada trombose causada pela morte de filárias, sendo facilmente confirmada pela necropsia.

O diagnóstico

Deve ser feito associando o histórico, juntando dados do intervalo de ocorrência, dose aplicada, raça, idade do paciente, além dos sinais clínicos presentes.
Não existe antídoto, o tratamento deve ser de suporte conforme os sintomas, quanto mais precocemente se chegar ao diagnóstico correto e iniciar o tratamento de suporte. As chances de sucesso terapêutico e a plena recuperação do paciente aumentam significativamente.

Rapidez no atendimento pode salvar a vida do pet

Intoxicação por ivermectina é uma urgência na clínica veterinária e deve ser atendida tão logo quando iniciar os sintomas. Não dê nenhuma medicação ao seu pet sem conversar antes com um médico veterinário de sua confiança, ele saberá te orientar e esclarecer todas as suas dúvidas.

Fernanda Loss
Médica Veterinária
CRMV: 10.965

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